Lenda da Sereia da Praia

sereia da praiaA lenda passa-se no tempo do povoamento da ilha, quando os lugares ainda não tinham nome. Numa noite de lua cheia um pescador avistou a boiar calmamente sobre as águas, em direcção à praia, uma mulher de longos cabelos negros e olhos castanhos, que ondulavam como o mar na aragem. Nua da cintura para cima, o seu corpo era de uma beleza única e esplendorosa, com um rosto de extrema suavidade.

O pescador, no areal, ficou deslumbrado com tão rara visão. Espantado e curioso, aproximou-se para averiguar, e quando já estava muito perto da mulher, que brincava nas águas envoltas em luar, percebeu com algum medo que o pescoço da mulher se encontrava desfigurado pelo que lhes pareciam guelras. Da cintura para baixo, apresentava a anatomia de um peixe. Uma sereia!, exclamou o homem espantado com a visão.

Perdido entre o medo e a aflição de não saber o que fazer, e consciente das histórias que se contavam das sereias que encantavam os homens e que os levavam para nunca mais serem vistos, o pescador julgou ser obra do diabo e começou a esconjurar a aparição. Mal o fez, a mulher presa no corpo de sereia voltou a ser simplesmente mulher, saindo das águas nua e pura, envolta em luar.

A lenda não informa se os dois foram felizes para sempre, mas está na origem do nome atribuído a esta praia no mapa feito pelo cosmógrafo real Luís Teixeira em 1584, para Filipe II de Espanha, aquando da sua viagem aos Açores nesse ano, que lhe atribuiu o nome de Plaia Hermosa – Praia Formosa.

Fonte.

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O Velho Homem de Cury/O Pente Mágico

The Fisherman and the Syren, por Frederic Leighton, c. 1856–1858.

Mais de cem anos atrás, em um belo dia de verão, quando o sol brilhava em um céu sem nuvens, um velho chamado Lutey andava nas areias em uma das enseadas perto de um lugar chamado Ponto do Lagarto. Ele vivia em uma casa de campo na pequena aldeia de Corantyn (chamada atualmente e Cury), perto de Mullion. Ele estava andando, olhando para as conchas e destroços que vinhm da praia, quando viu, em uma profunda piscina deixada pela maré, uma bela dama. Ela tinha cabelos dourados, tantos que praticamente a cobriam inteira, e estava sentada em uma pedra. A jovem estava tão absorta em sua ocupação – penteando seus cabelos na água espelhada, ou admirando o seu próprio rosto, que ela não notou o intruso. Ela parecia muito chateada, e estava chorando lastimosamente.

O velho ficou olhando para ela por algum tempo antes que ele imaginasse como agir. Finalmente ele resolveu falar com a moça. “Como vai jovem?” , disse ele, “o que você está fazendo aqui, a essa hora do dia?” Assim que ela ouviu a voz, ela deslizou da rocha afundando na água.

O velho viu um vislumbre de sua calda, e percebeu que não era um ser humano, mas uma sereia. Ele já tinha ouvido falar sobre sereias com os pescadores da Gunwalloe. Em seu entusiasmo, ele correu em sua direção e disse para ela não ter medo. Ele viu que a moça estava tão apavorada como ele, e que, por vergonha ou medo, ela tentou esconder-se nas fendas das rochas, e enterrar-se sob as algas. “Eu sou apenas um homem velho e curioso, que nunca teve o privilégio de encontrar uma sereia antes. Por favor, minha senhora, não tenha medo, pois eu nunca a machucaria”, disse o homem.

Depois que ele falou dessa maneira suava por algum tempo, a jovem tomou coragem e ergueu a cabeça acima da água. Ela chorava amargamente, e, logo que ela pôde falar, ela implorou ao velho para ir embora. Ele dise novamente que não pretendia machucá-la, mas não podia deixar de se questionar porque ela estava tão chateada. Sua voz era gentil, e a sereia nadou um pouco mais para perto da rocha.

“Eu preciso saber, minha querida, algo sobre vós, agora que eu vi você. Não é todo dia que um homem velho pega uma sereia, e eu ouvi alguns contos estranhos a respeito de vocês, mulheres do mar. Agora, minha cara, não tenha medo, eu não iria machucar um único fio de cabelo de sua linda cabeça. Como você chegou aqui? ”

Depois de mais alguma adulação ela disse ao velho a seguinte história: ela e seu marido e os pequeninos tinham andando ocupados no mar toda a manhã, e eles estavam muito cansados por nadar sob o sol quente, de modo que o tritão propôs que eles deveriam retirar-se para uma caverna, que eles tinham o hábito de visitar em Kynance Cove. Eles nadaram longe, e entraram na caverna no meio da maré. Como lá havia um pouco de uma gradável alga macia, e a caverna era deliciosamente fresca, o tritão se dispôs a dormir, e disse-lhes para não acordá-lo até a subida da maré. Ele foi logo dormindo, roncando vigorosamente. As crianças rastejaram para fora e estavam brincando na areia encantadora, assim a sereia achou que deveria ivestigar um pouco o mundo. Ela olhou com prazer nas crianças rolando para lá e para cá nas ondas rasas, e ela riu na luta dos caranguejos, engraçada à sua própria maneira.

 “O perfume das flores, descia sobre a falésia tão docemente”, disse ela, “que eu ansiava por chegar mais perto das coisas encantadoras que emitiam esses ricos odores, e eu flutuava de pedra em pedra até que eu vim para esta, e concluindo que eu não poderia avançar ainda mais, pensei que eu deveria aproveitar a oportunidade de arrumar o meu cabelo “.

Ela passou os dedos por seus lindos cachos, e sacudiu alguns pequenos caranguejos e muitas algas marinhas. Ela passou a contar que ela tinha sentado sobre a rocha admirando a si mesma até que a voz de um mortal apavorou dela, e até então não tinha idéia de que o mar estava tão longe, com uma enorme faixa de terra entre ela e o mar.

“O que devo fazer? O que devo fazer? Oh, eu daria o mundo para voltar para o mar! Oh, Oh! O que devo fazer?”

Ela continou contando que, quando seu marido acordar, ele ficaria com fome, e os tritões ficam muito cruéis quando estam com fome. Ele poderia comer até as crianças. Além disso, ela continou, ele também é terrivelmente ciumento, e se ela não estava ao seu lado quando ele acordasse, ele iria suspeitar que ela teria fugido com outro tritão e assim a procuraria e a mataria.

Isto quebrou o coração do velho, e ela implorou que ele a carregasse para o mar. Se ele o fizesse ela daria a ele quaisquer três coisas que ele desejasse. Seus pedidos finalmente prevaleceram e, de acordo com seu desejo, o velho ajoelhou-se na rocha, de costas para ela. Ela apertou os braços junto ao pescoço dele, e firmou os dedos membranosos em sua garganta. Ele levantou-se da rocha com o seu fardo, e levou assim a sereia pela areia. Enquanto era conduzida desta forma, ela pediu o velho para lhe dizer o que ele desejava.

“Eu não desejo”, disse ele, “prata e ouro, mas me dê o poder de fazer o bem aos meus vizinhos: em primeiro lugar, para quebrar os feitiços de bruxaria; segundo, e encantamentos para afastar doenças, e em terceiro lugar, para descobrir os ladrões e restaurar bens roubados. “

O molusco Murex Pecten é conhecido pelo nome de “Pente de Sereia”, por causa do seu arranjo perfeito de mais de cem espinhos.

Ela prometeu que realizaria seu desejo, mas para isso ele precisaria chegar a uma rocha coberta até a metade pela maré no dia seguinte, e ela iria instruí-lo como fazer as três coisas que ele desejava. Tinham chegado à água e a sereia deu o pente que estava em seu cabelo para o velho, dizendo que ele tinha apenas que pentear a água e chamá-la a qualquer momento, que ela viria até ele. A sereia afrouxou seu abraço, e deslizou do pescoço do velho de volta ao mar, ela jogou-lhe um beijo e desapareceu.

No outro dia, o velho estava na rocha na hora marca – conhecida até o hoje como a Rocha da Sereia – e foi devidamente instruído pela sereia em muitos mistérios. Entre outros, ele aprendeu a quebrar os feitiços de bruxas sobre homem ou animal, como preparar um vaso de água, para mostrar a qualquer um que teve seus bens roubados o rosto do ladrão e a curar várias doenças doenças.

A sereia convenceu seu velho amigo a levá-la a um lugar secreto, de onde ela podia ver mais da terra seca e do povo engraçado que vivia nela, “que tinham suas caudas arrancadas, e assim podiam andar. ” Ao levar a sereia de volta para o mar, ela desejou que seu amigo a visitasse em seu lar, e até prometeu fazê-lo jovem se ele fizesse isso, favores que o velho respeitosamente declinou.

A família do velho, muito conhecida na Cornualha, por algumas gerações têm exercido o poder de enfeitiçar. Eles tem em a posse deste poder da maneira como foi relatada. O pente da sereia, que existe até os dias atuais, é mostrada pela família como prova do seu poder sobrenatural.

Bibliografia:
The Old Man of Cury. Acesso em 20 de Julho de 2014.
A Mermaid and a Magic Comb. Acesso em 20 de Julho de 2014.
O ancião de Cury. Acesso em 20 de Julho de 2014.

“Ne Hwas”, as sereias irmãs

irmãsHá muito tempo atrás existia um índio, sua esposa e suas duas filhas. Eles viviam perto do mar, ou de um grande lago, e a mãe das meninas disse para que elas nunca fossem nadar, pois se fossem, algo terrível aconteceria com elas. As meninas, no entanto, enganaram a mãe repetidamente, e a o esporte proibido tornou-se agradável. A beira do lago acabava em uma ilha. Um dia elas nadaram até lá, deixando suas roupas na praia.

Os pais logo deram por falta dela, e o pai foi procurá-las. Ele as viu nadando longe, e as chamou. Elas nadaram até a areia, mas não conseguiam ir adiante. O pai perguntou-lhes porque. Elas gritaram que suas pernas tinham crescido e ficado tão pesada que era impossível andar. Além disso, haviam ficado viscosas: na verdade, tinham virado serpentes cintura para baixo.a. Após mergulhar algumas vezes neste lodo estranho elas se tornaram muito bonitas, com longos cabelos e olhos negros e luminosos, com faixas de prata em seu pescoço e braços.

Quando o pai foi buscar as suas roupas, elas começaram a cantar nos tons mais requintados:

“Deixe-as lá
Não as toque
Deixe-as lá! “

Ouvindo isso, a mãe começou a chorar, mas as meninas continuaram:

“É tudo culpa nossa,
Mas não nos culpem
Isso não será nada ruim para você.
Quando você estiver na sua canoa,
Então você não precisará de remo
Pois nós a carregaremos!”

E assim foi: quando seus pais andavam de canoa, as meninas a levavam com segurança para todos os lugares.

Um dia, alguns índios viram as roupas das meninas na praia, e encontraram as garotas nadando, na água, e as persuadiram e tentaram capturá-las, mas elas eram tão viscosas que era impossível tocá-las, até que um deles, agarrando uma das irmãs pelo seu logo cabelo preto, cortou-a.

Então a menina começou a balançar a canoa e ameaçou virá-la, a menos que seu cabelo fosse devolvido. O índio que havia ludibriado a sereia a princípio recusou, mas como as sereias ou donzelas serpentes, prometeram que todos eles se afogariam a menos que isso fosse feito eles devolveram e elas foram embora. No dia seguinte, eles ouviram que as menins tinham sido vistas uma última vez e que seu cabelo cortado tinha voltado para sua cabeça e estava crescendo.

A essas sereias foram dadas o nome de “Ne Hwas”, que na língua do povo Passamaquoddy significa “espírito”, sendo também usada para se referir a qualquer tipo de criatura sobrenatural. Esse mito nativo americano do século 19 é muitas vezes comparado com uma história da mitologia nórdica, onde Loki, o deus trapaceiro, corta o cabelo de uma deusa. No final da história, assim como nesta, o cabelo não só volta para sua dona, como também magicamente se reata.

Bibliografia:
Ne Hwas, a sereia.” Acesso em 20 de Julho de 2014.
Ne Hwas, the Mermaid.” Acesso em 20 de Julho de 2014.
Ne Hwas Stories.” Acesso em 20 de Julho de 2014.
Native American Myth: Ne Hwas – The Mermaid.” Acesso em 20 de Julho de 2014.

A Touca encantada

Marina Alexandrova

Pintura e mosaico de Marina Alexandrova.

Em um belo dia de verão, Dick Fitzgerald fitava o mar de Gollerus, em uma vila do sul da Irlanda. O sol estava nascendo por trás das montanhas. A névoa saía da água, como a fumaça do cachimbo de Dick. “Que manhã bonita”, disse Dick. “Pode parecer solitário alguém falar consigo mesmo. Mas o que é um homem no mundo sem uma mulher? Porque ele não é mais completo do que a metade de um par de tesouras – ou uma linha de pesca sem um gancho”.

Dick notou uma estranha jovem tomando sol em uma rocha nas proximidades. A luz da manhã brilhava em seu cabelo verde-mar como manteiga derretida brilha em um repolho. Dick adivinhou a verdade: ela era uma sereia. Ele espiou seu chapeuzinho vermelho encantado a seu lado – o povo do mar usava toucas encantadas para mergulhar para baixo das profundezas do oceano. Dick aproveitou a chance para roubar a touca, pois ele tinha ouvido uma vez que se ele possuísse um boné de sereia, ela perderia o poder de nadar e voltar para casa.

Quando a sereia notou que sua touca tinha sumido, ela começou a chorar como um bebê recém-nascido. Lágrimas de sal escorriam pelo seu rosto. Embora Dick soubesse muito bem o que a afligia, não podia deixar de se sentir triste. Ele tinha, afinal, um coração terno. “Não chore, minha querida”, disse ele. Mas a sereia apenas chorava mais.

Dick sentou-se sobre a rocha e pegou a mão dela. Ele percebeu que a mão não era eia, apesar do fato que havia uma pequena teia entre os dedos, como se via em pés de pato. Sua pele era tão fina e branco como a pele do ovo e sua casca.

“Qual o seu nome?”, perguntou Dick.

Ela não respondeu.

Dick apertou a mão dela – pois isso é um ato universal e não há nenhuma criatura no mundo que não a entenda, seja peixe ou humana.

A sereia parou de chorar. “Homem, você vai agora me preparar para jantar?”, perguntou ela.
“Nunca”, disse Dick. “Eu preferiria cozinhar e comer a mim mesmo, minha querida”.
“Homem, o que você vai fazer comigo, se não vai me cozinhar para o jantar?”

Desde que Rick estava querendo uma esposa, ele estudou-a longamente. Ela era bonita, e falava como uma pessoa real. Sim, ele decidiu que estava apaixonado o suficiente por ela.

“Homem, o que você vai fazer?”, perguntou ela de novo.

O jeito com que ela o chamou de “homem” resolveu a questão imediatamente.

“Peixe”, disse Dick, tentando falar com ela. “Peixe, aqui vai uma palvra para você nesta manhã abençoada. Eu farei de você Senhora Fitzgerald”.
“Estou pronta e disposa, senhor Fitzgerald”, disse ela. “Mas primeiro deixe-me arrumar meus cabelos”.

Depois, a sereia enfiou seu pente no bolso de Dick. Em seguida, enclinou a cabeça para perto do mar e sussurou palavras misteriosas para a água. Dick viu o múrmuro de suas palavras em ondulações nas ondas. Elas deslizaram para o grande oceano como um sopro do vento.

“Você está falando com a água?”, perguntou ele com espanto.
“Só estou falando com meu pai”, disse ela. “Estou dizendo-lhe para ir em frente e tomar café-da-manhã sem esperar por mim”.
“E quem é seu pai, Peixe?”
“Ele é o rei das ondas”, disse a sereia.
“Oh meu Deus”, disse Dick. “Você deve mesmo ser a filha de um rei. Certamente, seu pai deve ter todo o dinheiro do fundo do mar.”
“Dinheiro? O que é dinheiro?”, perguntou a sereia.
“Oh, não é nada ruim. Talvez o peixes possam trazer alguns para cima”, disse Dick.
“Sim, os peixes vão me trazer o que eu quiser”, disse ela.
“Oh, então fale com eles”, disse Dick. “Pois tenho apenas uma cama de palha em casa. Nada adequado para a filha de um rei. Talvez você gostaria de um bom colchão de penas”.
“Certamente, Senhor Fitzgerald, eu tenho uma abundância de camas”, disse ela. “Quatorze bancos de ostras minhas”.
Dick coçou a cabeça. Ele parecia um pouco confuso. “Isso claramente é uma coisa agradável de ter”, disse ele. “É bom ter uma cama tão perto da ceia”.

Então Dick apresentou a sereia ao Padre Fitzgibbon e pediu-lhe para os casar. Mas o padre estava chocado. “Você quer se casar com uma mulher peixe! Mande a escamosa criatura para junto de sua própria espécie!”

“Por favor, padre, ela é a filha de um rei”, disse Dick.
“Não importa se ela é filha de cinquenta reis”, disse o padre. “Ela é um peixe!”
“Não, ela é tão leve e bela como a lua”, disse Dick.
“Eu não me importo se ela é tão leve e bela como a lua, o sol e as estrelas juntos. Você não pode se casar com um peixe, Dick. Ela é um peixe. Um peixe!”
“Mas ela tem todo o ouro do fundo do mar”, disse Dick.
“Oh, oh. Bom”, disse o padre, se endireitando. “Isso muda tudo. Por que você não me disse isso antes, Dick? Casa-se com ela, pelo amor de Deus!”

a toucaEntão o padre casou Dick e a sereia. E tudo prosperou para Dick. Ele estava vivendo no lado ensolarado da vida, por assim dizer. A sereia foi a melhor das esposas. Os dois viviam muitos felizes e ela prontamente lhe deu três filhos. Em suma, Dick era um homem feliz, e poderia ter continuado assim até o fim de seus dias, se ele não tivesse ido a Tralle para fazer negócios.

Mal Dick deixou a casa e a Sra. Fitzgerald começou a limpeza da casa. Logo ela teve a chance de se deparar com alguns apetrechos de pesca. E adivinha o que ela encontrou? Sim, sua touca vermelha encantada. O próprio Dick havia roubado, quando eles se conheceram.

A sereia sentou-se num banquinho e ficou olhando para a touca vermelha. Ela pensou nos dias felizes que passara no mar. E olhou para seus três filhos humanos, pensando em como ela quebraria o coração deles e de Dick. Mas eles não vão me perder completamente, pensou a sereia. “Eu vou voltar em breve”, ela disse e beijou-os de leve. “Quem pode me culpar para ir para casa fazer uma visita rápida?”, pensou.

Quando a sereia vestiu a touca encantada, ela ouviu um leve canto do mar, uma doce canção estranha exortando-a a voltar para sua terra, de onde foi roubada. E como ela foi subitamente inundada com as memórias de seu pai, o rei dos mares, sua mãe, a rainha do mar, e dos seus irmãos e irmãs do mar, ela sentiu um grande desejo de estar com todos eles novamente.

Então a Senhora Fitzgerald correu para a margem do Gollerus, onde o mar estava calmo, liso e brilhante à luz do sol. Enquanto mergulhava na água e desaparecia, sua família humana foi rapidamente esquecida.

Quando Dick chegou em casa naquela noite, seu filho lhe contou sobre a saída da mãe. Dick correu para seu equipamento de pesca e viu que a touca havia sumido. Ano após ano, Dick esperaria sua mulher sereia voltar para casa. Ele nunca se casou novamente, e no dia de sua morte, nada o convencia de que ela teria voltado para casa, se pudesse. “Seu pai, o rei, deve tê-la mantido no mar pela força”, foram suas últimas palavras.

Fonte: The Enchanted Cap.

A sereia de Zennor

A sereia de Zennor, pintura de John Reinhard Weguelin em 1900.

Diz a lenda que muitos e muitos anos atrás, uma mulher bonita e ricamente vestida frequentava ocasionalmente a igreja na cidade de Zennor. Ninguém sabia quem ela era ou de onde vinha, mas sua beleza era incomum a fazia tema de muita discussão.

Com tanta beleza, não faltavam pretendentes para a mão da mulher. Um dos homens locais, Matthew Trewella, um jovem bonito, tinha a melhor voz da aldeia. Ele tomou para si a tarefa de descobrir quem ela aquela bela estranha.  Depois de uma missa de domingo, a senhora sorriu para Matthew, e ele decidiu seguí-la. Ele nunca mais foi visto.

De acordo com uma outra versão da história, a mulher misteriosa era atraída para a Igreja por causa da bela voz de Matthew, e se vestia como um ser humano, ficando sempre no fundo da igreja. Um dia, Matthew cantou um verso particularmente bonito e a mulher deixou escapar um pequeno suspiro. Logo, Matthew se virou e viu a mulher, cujo capuz tinha caído: seus cabelos eram molhados e brilhantes, e foi amor à primeira vista.  Assustada, a mulher correu de volta para o mar, com Matthew a perseguindo. Em sua pressa para voltar para o mar, a mulher tropeçou em seu vestido, e Matthew pode ver sua calda. “Eu não posso ficar”, disse a sereia. “Eu sou uma criatura do mar, e devo voltar para onde pertenço”. Mas isso não importava para Matthew. “Então irei com vós, pois pertenço aonde você estiver”.

Em uma outra versão da história, o casal foi perseguido pelas pessoas da aldeia, que gritavam para Matthew deixar a mulher misteriosa. Mas  Mathew foi enfeitiçado pelo amor da sereia, e correu com ela o mais rápido que pôde em direção ao mar. Em seguida, os pescadores de Zennor o perseguiram, até mesmo a mãe de Matthew. Mas ele foi rápido e forte e se distanciou. Mas a sereia, chamada Morveren foi rápida e inteligente. Ela arrancou as pérolas e os corais de seu vestido e jogou-os no caminho. Os pescadores foram gananciosos e pararam para pega-las.

Anos se passaram desde o sumiço inexplicável de Matthew. Então, em uma manhã de domingo, um navio ancorou em Pendower Cove, perto de Zennor. O capitão do navio estava sentado no convés quando ouviu uma linda voz saudá-lo do mar. Olhando para as ondas, ele viu uma bela sereia, de cabelos longos e loiros fluindo a seu redor.

Ela perguntou se ele teria gentileza de levar a âncora, uma vez que ele tinha ancorado em cima da porta de sua casa. Ela explicou que estava ansiosa para voltar para seu marido, Matthew, e seus filhos. Pois acontecera que a misteriosa senhora era uma das filhas de Llyr, rei do oceano.

O capitão logo levantou a âncora e se dirigiu para as águas profundas, temendo que a sereia traria má sorte ao navio. Ele, no entanto, voltou mais tarde para dizer ao povo da cidade sobe o destino de Matthew. Foi para advertir os jovens sobre os perigos das sereias que uma cadeira foi esculpida no século XV. Em exibição na igreja de St. Senara até hoje, a cadeira é uma das atrações populares dos guias turísticos da Cornualha. De acordo com o relato dos moradores, historiadores supõe que foi a própria cadeira que inspirou o conto, e não o contrário.

Bibliografia:
Mermaid of Zennor. Acesso em 17 de Julho de 2014.
The Mermaid of Zennor and other Cornish Mermaids. Acesso em 17 de Julho de 2014.
A Sereia de Zennor“. Acesso em 20 de Julho de 2014.

A lenda de Iara

Iara em "A Turma da Mônica"Segundo a lenda, Iara, cujo nome significa “aquela que mora na água”, era a melhor índia guerreira de uma tribo amazônica, e recebia muitos elogios de seu pai, que era o pajé da vila. Os irmãos de Iara tinham muita inveja e resolveram matá-la à noite, enquanto dormia. Iara, que possuía um ouvido bastante aguçado, os escutou e os matou. Com medo da reação de seu pai, Iara fugiu. Seu pai, o pajé da tribo, realizou uma busca implacável e conseguiu encontrá-la, e como punição pelas mortes a jogou no encontro dos Rios Negro e Solimões. Alguns peixes levaram a moça até a superfície e, em uma noite de lua cheia, a transformaram em uma linda sereia.

Conta a lenda que Iara é considerada a mãe d’água, e que a mesma encanta os pescadores por sua beleza. É morena, índia, com cabelos castanhos e longos, cobrindo seus seios, que ficam à mostra. Como toda lenda, a história da Iara também tem seu lado fantasioso, inventado pelos homens: nas noites de lua cheia ela torna-se conquistadora, atraindo os pescadores, exibindo-se para eles, desvendando seu corpo de sereia. Também usa do seu canto para deixá-los meio hipnotizados. Dessa forma, faz com que eles a acompanhem até o fundo do rio. Dizem que a Iara atrai os homens  sob a promessa de uma eterna bem-aventurança em seu palácio, onde a vida é uma felicidade sem fim.  A maioria morre nas profundezas do rio, e os poucos que conseguem voltar acabam ficando loucos em função dos encantamentos da sereia.  Neste caso, conta a lenda, somente um ritual realizado por um pajé (chefe religioso indígena, curandeiro) pode livrar o homem do feitiço.

Iara  deixa sua casa no fundo das águas no fim da tarde. Surge magnífica à flor das àguas: metade mulher, metade peixe; cabelos longos enfeitados de flores vermelhas. Por vezes, ela assume a forma humana e sai em busca de vítimas. Iara, como índia, possui pele parda, olhos castanhos e cabelos negros (alguns dizem que é verde-escuro). Iara também fazia mulheres de vítima ao se transformar em um belo homem. As crianças também são vítimas, e após desaparecem misteriosamente, creem os ribeirinhos que essas crianças ficam “encantadas” no reino da “gente do fundo”. Lá o menino é instruído no preparo de todos os tipos de remédios. Passados sete anos, durante os quais foi iniciado nas artes mágicas e na manipulação de plantas e ervas, o jovem pode retornar para junto dos seus, onde, geralmente, se torna um grande curandeiro.

Iara em "A Turma da Mônica"Um dos homens encantados por Iara foi o índio Tapuia. Certa vez, pescando, ele viu a deusa, linda, surgir das águas. Resistiu, não saiu da canoa, remou rápido até a margem e foi se esconder na aldeia. Mas  Tapuia ficara enfeitiçado pelos olhos e ouvidos não conseguia esquecer a voz de Iara. Numa tarde, morto de saudade, fugiu da aldeia e remou na sua canoa rio abaixo. A sereia já o esperava cantando a música das núpcias. Tapuia se jogou no rio e sumiu num mergulho, carregado pelas mãos da noiva. Uns dizem que naquela noite houve festa no chão das águas e que foram felizes para sempre. Outros dizem que na semana seguinte a insaciável Iara voltou para levar outra vítima.

Em seu poema “A Iara”, Olavo Bilac descreve a sereia:

Vive dentro de mim, como num rio,
Uma linda mulher, esquiva e rara,
Num borbulhar de argênteos flocos, Iara
De cabeleira de ouro e corpo frio.
Entre as ninféias a namoro e espio:
E ela, do espelho móbil da onda clara,
Com os verdes olhos úmidos me encara,
E oferece-me o seio alvo e macio.
Precipito-me, no ímpeto de esposo,
Na desesperação da glória suma,
Para a estreitar, louco de orgulho e gozo…
Mas nos meus braços a ilusão se esfuma:
E a mãe-d’água, exalando um ai piedoso,
Desfaz-se em mortas pérolas de espuma.

Curiosamente, registros dos séculos XVI e XVII mostram que, no começo, Iara era um personagem masculino e chamava-se Ipupiara, um homem-peixe, que devorava pescadores e os levava para o fundo do rio. Não há um só aspecto simpático em Ipupiara: é um horrendo monstro marinho, esfomeado e apavorante, saindo da água para matar, sempre matar. De acordo com os cronistas, não aparece no Ipupiara o poder de transformar-se em homem ou mulher.

sereia européiaA Iara (Ig-água, Iara-Senhor) é uma roupagem de cultura européia. Não há lenda entre os índios que tenha registrado a Iara de cabelos longos e voz encantadora. As lendas indígenas mais antigas citam sempre um Velho Homem Marinho, e não a Iara. A presença da sereia indica claramente a força da presença dos mitos dos brancos ou a influência assimiladora do mestiço, que a tudo absorvia, como se fora uma esponja. É possível notar influências estrangeiras em três pontos da história: os métodos de sedução da sereia – o índio não reprime sua sexualidade pelos arreios da sua cultura ou da civilização cristã do branco, razão pela qual não se vale de entes sensuais na sua mitologia -, a oferta de tesouros e palácios – os índios desconheciam tais valores -, e a beleza física de Iara, muitas vezes retratada como branca, loura e de olhos verdes.

Além do Ipupiara, o índio brasileiro têm apenas mais uma tradição sobre monstros aquáticos: o Boiúna, também conhecido como Cobra Grande ou Cobra Negra, que era uma enorme cobra escura capaz de virar as embarcações, tendo também o poder de imitar a forma de um navio, causando acidentes marítimos. No entanto, o Boiúna em nenhum momento tem o poder de se transformar em humano, e nenhuma lenda tradicional dos índios brasileiros narra qualquer lenda que seja parecia com a lenda de Iara.

Bibliografia:
Iara. Acesso em 17 de Julho de 2014.
Iara. Acesso em 17 de Julho de 2014.
Iara.Acesso em 17 de Julho de 2014.
Cabocla Iara. Acesso em 17 de Julho de 2014.
A Lenda da Iara, a Mãe DáguaAcesso em 17 de Julho de 2014.
Iara. Acesso em 17 de Julho de 2014.
A lenda da Iara, a sereia. Acesso em 17 de Julho de 2014.

A lenda de Melusina, conforme contada por Jean d’Arras

A história de Melusine começa quando Elynas, o rei de Albany, saiu para caçar e deparou-se com a fada Presina, uma bela dama. Ele persuadiu-a a casar-se com ele, e ela só concordou sob a condição — pois freqüentemente há uma condição dura e fatal vinculada a qualquer união entre fada e mortal — de que ele não deveria entrar na alcova quando ela desse à luz ou banhasse suas crianças. Ela deu à luz trigêmeas. Quando ele violou este tabu, Presina deixou o reino com suas três filhas, e viajou para a ilha perdida de Avalon.

As três garotas — Melusina, Melior e Palatina (ou Palestina)— cresceram em Avalon. Em seu décimo-quinto aniversário, Melusina, a mais velha, perguntou por que elas haviam sido levadas para Avalon. Ao ouvir sobre a promessa quebrada pelo pai, Melusina jurou vingança. Ela e suas irmãs capturam Elynas e o trancafiam, com suas riquezas, numa montanha. Presina se enraivece quando toma conhecimento do que as garotas haviam feito e as pune por ter desrespeitado o pai, e atribui a cada uma de suas filhas um terrível castigo. Se elas não tivessem prendido seu pai, com o tempo a descendências das três mulheres teriam tornado-se completamente humanas, vivendo suas vidas até à morte como mulheres mortais. Melusina foi condenada a tomar a forma de uma serpente da cintura para baixo, todo sábado. O único modo de acabar com o feitiço era casar-se com um homem que obedecesse à regra de nunca vê-la neste dia.

Anos depois, Raymond de Poitou encontrou Melusina numa floresta da França, e depois de de passarem a noite conversando, ficaram noivos, mas com uma condição: Melusina fez Raymond prometer que ele nunca a veria no sábado, quando suas pernas viravam caldas – mas ela não contou isso para ele. Ele concordou, e eles se casaram. Melusina trouxe a seu marido grande riqueza e prosperidade. Ela se apresenta para o mundo como a filha de um poderoso rei, e imeditamente ganha admiração universal por sua beleza e decoro na corte. Melusina construiu uma fortaleza tão rapidamente que pareceu ter sido feito por magia. Com o tempo, ela construiria muitos castelos, fortalezas, igrejas, torres e vilas, cada um em uma única noite, em toda a região. Melusina e Raymond tiveram dez filhos, mas cada criança tinha um defeito: o mais velho tinha um olho vermelho e outro azul, um outro tinha uma orelha maior do que a outra, o outro tinha um pé-de-leão crescendo em sua bochecha, um outro tinha apenas um olho, outro tinha um grande dente da frente. Apesar das deformidades, as crianças eram fortes, talentosas e amados por todo o reino.

Um dia, o irmão de Raymond, Conde de Feroz, foi visitá-lo. Ele organizou uma maravilhosa festa para seu irmão. Depois de dar boas-vindas, eles são à Igreja e, em seguida, entram no salão principal do castelo onde se sentam à mesa. Seu irmão pergunta aonde está sua esposa, e pergunta sobre o rumor de que sua esposa de esconde todos os sábados para fazer maldades. Melusina 1Raymond, irritado, empurra a mesa para longe dele, pega sua espada, coloca em seu cinturão e corre para onde ele sabe que Melusina se esconde todos os sábado. Lá, ele encontra uma porta sólida, muito grosso. Ele nunca tinha ousado avançar tanto. Raymond saca a espada e com a ponta cava um buraco. Ele ficou horrorizado ao ver que ela tinha o corpo e a cauda de uma serpente da cintura para baixo. Ele não disse nada até o dia em que seu filho, Greoffrey – o que tinha um grande dente – atacou um mosteiro e matou cem monges, incluindo um de seus irmãos. Raymond acusou Melusina de contaminar seus filhos com sua natureza de serpente, revelando que ele tinha quebrado sua promessa.

No mesmo momento, Raymond se entristece por ter quebrado sua promessa. Ele corre para o quarto, pega um pedaço decera e tampa o buraco que havia feito na porta. Embora ele não sinta nenhuma aversão, ele fica triste por ter quebrado sua promessa, e fica com raiva de seu irmão. Ele pede perdão a Melusina, embora não tenha contado a ela o que fez de errado. Suas vidas juntos continuam sem problemas até o momento em que chega uma terrível notícia:  Geoffrey, o filho de dente grande, ficara furioso ao saber que seu irmão Fromont tinha decidido juntar-se a uma comunidade monástica, colocando-a em chamas, matando seu irmão juntamente de cem monges. Raymond fica tão devastado com a notícia que execra Melusina publicamente, chamando-a de “serpente traiçoeira”, cuja descendência nunca poderia ter um bom final.

Esta revelação dramática lança uma sombra não só sobre Melusina, mas sobre seus filhos também. Consciente das implicações, ela imeditamente tenta evitar que qualquer coisa ruim aconteça com eles, e revela sua ascendência, sobre sua mai e seu pai. Ela, no entanto, não revela que sua mãe era uma fada e nem oferece qualquer explicação sobre a origem de  sua transformação. Melusina dá então um discurso de despedida angustiado sobre seu fracasso na aspiração de alcançar a humanidade, e, assim, sua salvação:

“Ah! Raymond, o dia em que eu o vi pela primeira vez foi para mim um dia de tristeza! Ai! Para minha desgraça eu vi tua graça, teu charme,  teu belo rosto. Para minha tristeza eu desejava a sua beleza, e você tão ignóbil me traiu. Embora você tenha falhado em sua promessa, eu te perdoo do fundo do meu coração por ter tentado me ver, nem mesmo falando isso para você, pois você não o relevaria a ningém. E que Deus perdoe você, por que você teria feito penitências por ele neste mundo. Ai! Meu amado, agora nosso amor virou ódio, a nossa ternura crueldade, nossos prazeres e alegrias viraram lágrimas e choro, a nossa felicidade virou grande desgraça e calamidade. Ai! Meu amado, se você não tivesse me traído eu teria sido salva de minhas dores e meus tormentos, eu teria vivo o curso natural da vida como uma mulher comum, teria morrido de uma forma normal, com todos os sacramentos da Igreja, eu teria sido enterrada na igreja de Notre-Dame de Lusignan e missas comemorativas teriam sido feita por mim, como deveriam ser. Mas agora você me mergulhou de volta na escura penitência que eu conheci durante tanto tempo, por minha culpa. E essa penitência eu devo suportar até o Dia do Juízo final, porque você me traiu. Eu oro a Deus para perdoar você”.

Ela voltaria à noite para visitar seus filhos e depois desapareceria, também prestando visitas a todos os seus descendentes que estivessem perto da morte. Raymond nunca mais foi feliz. Dizia-se que a descendência de Melusina reinaria até o fim do mundo.

Bibliografia:
FOUBISTER, Linda. “The Story of Melusine“. Acesso em 17 de Julho de 2014.
Le Livre de Mélusine de Jean d’Arras. Acesso em 17 de Julho de 2014.
Jean d’Arras. Acesso em 17 de Julho de 2014.
Jean d’Arras, and Translated and with an introduction by Donald Maddox and Sara Sturm-Maddox. Acesso em 17 de Julho de 2014.

A Vingança da Sereia

Ilustração de Troy HowellHá muito tempo, na Cornualha, um fazendeiro e sua esposa moravam em uma humilde casa de lama. Mas eles tinham um lindo jardim, uma vida boa e uma linda filha chamada Selina.

Selina tinha bochechas rosadas e olhos escuros e misteriosos. Fofocas da aldeia diziam que há muito tempo a mãe de Selina a levara para o Lago de Perran, um dos locais prediletos das sereias. A pequena Selina pulou dos braços de sua mãe direto para a água e, quando ela reapareceu, se rosto estava mais brilhante e encantados do que nunca.

Uma noite, quando tinha dezoito anos, Selina estava andando na praia com seu pai. A lua clara e fria inundava o oceano com seu luar, e um jovem soldado andava por perto. Seu nome era Walter Trewoofe, ele estava visitando seu tio, um rico escudeiro.

Salina achou que Walter era bastante elegante e impressionante montado no seu orgulhoso cavalo. Da mesma forma, quando Walter observou selina e seu pai, ele ficou impressionado com a beleza calma da menina.

Depois disso, Walter planejou montar em seu cavalo e andar na areia sempre que Selina estava passeando com seu pai. E sempre que ele passava por eles, ele parava para dizer algo lisonjeiro para a menina.

Logo, a solitária e bela donzela se apaixonou por Walter Trewoofe, e ela começou a fazer caminhadas com ele ao invés de seu pai. Uma vez, quando Walter e Selina foram passear ao longo da costa, um velho pescador viu algo estranho: uma sereia ressurgiu das profundezas do mar. A sereia flutuou ao longo das ondas ondulantes, como se estivesse vigiando a jovem.

Quando Selina não via Walter, o mundo parecia cinza e frio. Quando ela via ele, o mundo ficava cheio de sol. Mas Walter não tinha boas intenções com Selina. Ele era muito vaidoso, na verdade, ele esperava que todas as moças se apaixonassem por ele. Então, depois de cortejar Selina por um curto tempo, ele ficou entediado e desapareceu, voltando para o mundo agitado de Londres. Ele nunca parou para pensar nos sentimentos dela.

De volta à vila pesqueira da Cornualha, Selina sofria por Walter Trewoofe. Ela ficava deitada em sua cama e lentamente desapareceu desta vida. Enquanto ela ficava mais fraca, tudo na aldeia começou a dar errado. As lavouras minguaram, palheiros e milharais pegaram fogo. Cavalos cairam. Vacas morreram.

Finalmente, em uma noite, no momento em que a maré virou e as águas do mar começaram a recuar da costa, Selina escorregou da vida para a morte.

Naquela mesma noite, por coincidência, Walter Trewoofe havia retornado para a Cornualha para visitar seu tio, o escudeiro. Walter participou de uma grande festa perto da costa. Á meia-noite, ele deixou a festa e vagou ao longo da borda das falésias. Logo ele se viu na praia. Ele estava perdido, então ele começou a refazer seus passos. Mas, então, a música mais esquisita o parou.

Walter ouviu uma mulher cantando uma canção desesperadora e melancólica:

Venha para longe, venha para longe
Onde as águas selvagens da
Nossa Terra – crianças nasceram
Morreram neste dia, morreram neste dia

Walter caminhou lentamente ao longo da areia. Ele descobriu que a doce melodia estava vindo em águas mai baixas, do outro lado das rochas. Na boca de uma caverna, ele viu uma mulher que parecia exatamente como Selina.

Ela olhou para as estrelas e cantou:

Venha, venha para longe
A orgulhosa tempestade
Tece a mortalha
Para aqueles que a traíram.

Walter começou a caminhar entre as águas até que chegou na mulher. Ela estendeu os braços para recebê-lo. ‘Venha, sente ao meu lado, Walter’, ela disse em uma voz bonita, prateada.

Walter sentou ao lado dela, e ela envolveu seus braços ao redor de seu pescoço, e olhou em seus olhos.

‘Beijos são tão verdadeiros no mar como são falsos em terra’, disse ela. Você beija uma donzela e então a trai. Mas se uma donzela do mar beija você, você será dela para sempre’. E ela o beijou.

Walter percebeu que ela não era Selina. Como se tivesse lido sua mente, a mulher disse: ‘Eu sou a sereia guardiã de Selina. Eu a tenho guardado desde que ela caiu no Lago de Perran quando pequena. Agora eu vingarei sua morte’.

Walter começou a lutar com a sereia. Mas ela segurou-o com força. A maré estava subindo e os ventos rugindo. Ouviu-se o trovoar de um raio e, em seguida, uma névoa negra cobriu o céu cheio de estrelas.

As ondas colidiam contra a costa, e a sereia puxava Walter contra uma rocha maior. O trovão ressoava acima dos penhascos. Em seguida, um poderosa onde espirrou contra a rocha maior e Walter e a sereia foram levados para o mar.

Enquanto flutuavam pela água, a sereia segurava Walter pelo seu cabelo. E ela cantou com uma voz tão clara como um sino:

Venha, venha para longe
A orgulhosa tempestade
Tece a mortalha
Para aqueles que a traíram.

Walter ouviu outras vozes cantando acima do rugido da tempestade. Um coro de vozes prateadas cantou:

Venha, venha embora
Sob a onda
Descansa o túmulo dele
Que nós mataremos, nos mataremos

E então a sereia guardiã de Selina enterrou Walter Trewoofe embaixo das ondas.

Traduzido do conto inglês ‘The Mermaid’s Revenge‘.