As douradas sereias de Charmed

charmed“A Witch Tail” é o primeiro episódio da quinta temporada da série Charmed, que foi ao ar no dia 22 de Setembro de 2002. Nesta parte da história, as personagens Piper, Phoebe e Paige ajudam a sereia Mylie, que precisa de ajuda depois de fazer um pacto com a Bruxa do Mar, um ser mágico malévolo conhecido por tentar as sereias a desistirem de sua imortalidade pelo amor de um ser humano. Ele então recolhe sua essência imortal, a fim de negociar com poderosos demônios.

Mylie precisava encontrar seu amor em 30 dias, e conheceu um homem chamado Craig Wilson, mas ele não declarou seu amor no tempo esperado. Com a ajuda das personagens da série, Mylie mostra a Craig quem ela realmente é – uma sereia, e ele se assusta e foge. A sereia ficou triste, e a Bruxa do Mar convence-a a desistir de sua imortalidade. Felizmente, Craig muda de idéia, confessa seu amor e Mylie torna-se uma humana comum. No final do episódio, Phoebe, Paige e Piper querem procurar a Bruxa do Mar por causa de Myllie. Elas lançam um feitiço contra a Bruxa, e Phoebe vira uma sereia. Elas conseguem derrotar a Bruxa, mas Phoebe não vira humana, e se recusa a voltar para à Terra.

Phoebe acaba presa em um barco de pesca. Ela ainda quer ser uma sereia, e quer ficar na água. Resgatada, Phoebe é colocada em uma banheira. No final, ela acaba tornando-se humana novamente, e assina os papéis para divorciar-se de seu marido, apesar de ainda amá-lo.

Apesar das duas atrizes usarem cauda e top parecidos, me parece claro que existem pelo menos dois tipos de cauda: uma “dura”, para a qual ela têm que ser carregada; e outra, que parece ser feita de tecido, que permite à atriz ficar de pé e de joelhos – essa foi sem dúvida a única vez que vi uma sereia, com cauda, “andando”.

Depois do sucesso deste episódio, o produtor executivo da série propôs um spin off chamado “Sereia”, que seria centrado na sereia Nikki, resgatada por um jovem em Miami. Matt Johnson, o salvador, é um advogado que vive com um olega de quarto e está envolvido com a filha de seu chefe. Inicialmente, ele está totalmente descrente da natureza de Nikki. De acordo com a mitologia da série, as sereias são criaturas cuja evolução occoreu debaixo d’água. As sereias são originárias de uma cidade submersa e têm habilidades sobrenaturais, incluindo força sobre-humana, ler as emoções, ver no escuro e sentir conexões com outras criaturas do mar. No entanto, outras criaturas que também começaram sua existência debaixo da água começaram a se adaptar na terra, como Eric Luger, que está caçando Nikki, que por sua vez tenta ter uma vida normal, trabalhando como garçonete enquanto vive com Matt. Ela começa a ajudar Matt, como o vilão Luger explica: as sereias são feitas para protege os inocentes, está “em seu sangue”.

Depois de passar por 300 garotas, o produtor executivo escolheu Nathalie Kelley como intérprete de Nikki. Apesar de ter uma boa chance virar um sucesso, quando os canais The WB e UPN foram incorporados pela rede The CW, começaram a se falar dos riscos que haveria caso o episódio não fosse bem aceito, e além disso os estúdios Paramount e CBS cortaram o orçamento pela metade.

 Phoebe  (5) Phoebe  (2) Phoebe  (3)
 Phoebe  (4) Phoebe  (1) Phoebe  (6)
 Phoebe  (7) Phoebe  (8) Phoebe  (9)
Mylie (3) Mylie (2) Mylie (5)
Mylie (4) Mylie (6) Mylie (1)
     

Bibliografia:

Mylie. Acesso em 11 de Setembro de 2014.
Mermaid (Pilot). Acesso em 11 de Setembro de 2014.
A Witch’s Tail, Part 1/Plot. Acesso em 11 de Setembro de 2014.
A Witch’s Tail, Part 2. Acesso em 11 de Setembro de 2014.
A Witch’s Tail, Part 2/Plot. Acesso em 11 de Setembro de 2014.

Talk Dirty To Me Part III [1984]

Tract (1)“Talk Dirty To Me Part III” é um filme pornográfico do ano de 1984. Parodiando o filme “Splash”, Talk Dirty tem John Leslie no papel principal e Traci Lords como a sereia. Em 1986, foi revelado que Traci Lords era menor de idade quando o filme foi filmado, e o filme teve que ser re-editado com Lisa De Leeuw substintuindo-a. O filme foi relançado em 1989.

Até onde se sabe, esse é o único filme pornô que envolve sereias. O filme tem um enredo claro – uma sereia vai para um hotel de nudismo na Califórnia determinada a transar com um homem. Infelizmente, não é possível falar muito da cauda, pois o filme é escuro e não existem fotografias que mostrem qualquer detalhe das filmagens – obviamente, esse não era o foco.

De acordo com a autobiografia de Traci Lords, além de ganhar um prêmio por este filme ele também impulsionou sua carreira. De acordo com ela, suas aventuras na piscina “se espalharam através do mundo pornô como fogo”, fazendo-a a atriz mais procurada para filmes pornôs.

Curiosamente, existem fotografia de uma sessão de fotos que Tracy Lords fez (data indeterminada). Apenas pela fotografia percebe-se que a qualidade da cauda é melhor, embora a barbatana não seja lá aquelas coisas. Achei o sutiã com os colares de pérolas pendurados um toque bem interessante.

Veja abaixo três imagens do filme e outras três fotos da sessão:

 Tracy Lords  (1) Tracy Lords  (2) Tracy Lords  (3)
 Tract (2) Tract (3) Tract (4)

Bibliografia:
Reviews & Ratings forTalk Dirty to Me Part III;
Talk Dirty to Me Part III;

As delicadas sereias de “Die kleine Meerjungfrau” [2013]

posterFilme alemão do ano de 2013, Die kleine Meerjungfrau conta a história da pequena sereia de Christian Anderson. O filme faz parte da série “Sechs auf einen Streich” – seis filmes alemães inspirados nos contos dos Irmãos Grimm, Hans Christian Anderson e Ludwig Bechstein.

O filme começa com a história da sereia Undine, que vive com suas irmãs Aquarella e Melusine, e seu pai, rei do mar. Mas Undine quer mais do que apenas pentear seus cabelos dourados: um dia, ela salva o príncipe Nikolas e se apaixona por ele. Assim que acorda, Nikolas se apaixona pela princesa Undine, que logo desaparece assim que vê outras pessoas. Undine começa a observar e poderosa bruxa do mar Mydra, e diz que seu desejo é trocar sua cauda por pernas. A bruxa concede seu desejo, mas com uma condição: ela não poderá falar, e caso o príncipe não a beije, ela virará espuma. Além disso, cada passo será muito doloroso para Undine.

Na manhã seguinte, Nikolas vê Undine em uma pedra e a convida para seu castelo, que está em meio aos preparativos do casamento dele e de uma desconhecida Princesa Anne. Undine tem apenas alguns dias para conquistar o coração do príncipe, mas não consegue. Ele se casa com Anne. O único jeito que existe para que Undine não morra é se ela matar Nikolas com um punham que ganhou de Mydra. Undine entra no quarto dos recém-casados, mas não consegue matar o príncipe e joga o punhal no mar. Mydra aparece e explica a Undine que tudo não passou de um teste, e ela conseguiu: agora ela receberá uma alma, e poderá explorar o mundo.

Embora eu tenha achado muito interessante a combinação das tradicionais lantejoulas em apenas alguns lugares da cauda (e não nela toda), achei muito estranho que tenham decidido que a sereia não usaria os clássicos sutiãs de conchas: o material da cauda sobre até os ombros, formando uma espécie de vestido de uma alça. Se fossem pelo menos duas alças, ou nenhuma, acredito que a roupa teria ficado mais “verídica”. Além disso, é possível ver que a cauda é de um material muito flexível, parecido com látex. Em certos momentos, principalmente quando a atriz está sentada, é possível ver os contornos de seus joelhos (ao contrário das caudas usadas, por exemplo, na série “H2O”, onde a cauda era feita de látex, argila e outros materiais que deixam a cauda com uma aparência mais “pesada”).

 Die kleine (7) Die kleine (2) Die kleine (6)
 Die kleine (3) Die kleine (8) Die kleine (1)
 Die kleine (9) Die kleine (4) Die kleine (10)

Die kleine Meerjungfrau (2013)

 

“Guinea Pig: Mermaid in a Manhole” [1988]

GuineaGuinea Pig é uma série de sete controversos filmes de terror japonês das décadas de 80 e 90. A série alcançou notoriedade mundial com os dois primeiros filmes, e o produtor precisou provar que ninguém tinha sido realmente machucado ou assassinado – o próprio FBI e as autoridades japonesas chegaram a investigar os cineastas.

Baseado em um mangá de Hideshi Hino, “Mermaid in a Manhole”, lançado em 1988 conta a história de um artista que está tentando lidar com a recente morte de sua esposa. Um dia, ao visitar os esgotos sob as ruas de Okinawa, ele se depara com uma sereia que ele tinha conhecido quando era criança, quando os esgotos costumavam ser um grande rio. Ela está presa no esgoto, e o artista se senta para pintá-la, mas logo ela começa chorar em agonia: o artista percebe que por estar nos esgotos por tanto tempo ela contraiu infecções. O artista a leva para sua casa, e ela começa a desenvolver lacerações e começa a sangrar. O artista usa então o sangue o pus das feridas para pintar o seu retrato, e então a sereia morre.

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Bibliografia:
Guinea Pig (film series)

Empires of the Deep: o fracasso de um filme e a originalidade das sereias

Fan Made PosterO filme Empire of the Depp é uma aventura submarina de fantasia, que utiliza os mais novos efeitos de CGI para moldar e criar um novo mundo subaquático, habitado por sereias, gigantes e dezenas de diferentes reinos submarinos e raças, cada um com seus próprio traços culturais. O protagonista do filme é um jovem com um poder oculto, que busca a misteriosa sereia Aka, cujo encontro desencadeia uma série de eventos inesquecíveis que abalam o mundo das sereias e seus fundamentos. O filme explora as característias misteriosas e aparentemente bizarra das sereias, retratando o perigo de sua beleza e como o amor pode ser fascinante e mortal.

Lançado como “Avatar” chinês, o filme supostamente seria o lançamento da China na produção “blockbuster”. Financiado por homem chamado Jon Jian, um magnata imobiliário, o filme foi anunciado como um filme de fantasia grega sob o mar, com sereias graciosas, guerreiros montados em caranguejos gigantes e peixes enormes, usados como submarinhos. O filme foi anunciado em 2009, e o script passou por mais de 40 revisões e pelas mãos de mais de 10 roteiristas de Holywood.

A idéia é que as cenas subáquticas fossem impressionar o público jovem. Custando nada mais nada menos do que 100 milhões, o filme esteve em produção desde 2010, mas até hoje não foi lançado por causa da péssima recepção do público, com efeitos especiais chamados de “péssimos” e “trajes miseráveis”, com atores parecendo “perdidos e ridículos”. Atualmente, não existe data de lançamento e o filme simplesmente sumiu do mapa: o site oficial está em branco. Qualquer uma das empresas ou sites envolvidos não respondem nada que tenha a ver com o filme. Como dizem em vátios sites, é como se todos tivessem feito as malas e idem embora. É possível que o filme tenha literalmente parado em algum momento durante a pós-produção, devido ao mal recebimento do público. No entanto, é possível explorar as originais sereias produzidas a partir de imagens promocionais, dos bastidores e do único trailer lançado.

EMPIRENa minha opinião, a representação das sereia são muito boas, embora em nenhum momento das cenas publicadas seja possível ver a sua  cauda: nos poucos segundos vistos, em uma cena de batalha, é possível quer que a cauda, assim como o corpo, foi criado totalmente por efeitos especiais. As poucas sereias que aparecem interpretadas por atrizes reais (apenas 15), têm pernas e uma espécie de barbatana de raia, o que na minha opinião deu um toque muito original. Isso sem contar que essa é uma das poucas sereias que não tem uma espessa cabeleira: todas com tons pastéis, seus cabelos foram transformados em poucas mechas grossas e coloridas. Além disso, as sereias não tem orelha: em uma imagem em alta definição, é possível que a orelha da atriz foi colocada para trás com uma concha cobrindo a metade.

Assim como as outras sereias tradicionais, os seios são tampados com conchas, mas é notável que os produtores usaram uma espécie de linho cor-de-pele, de modo que em certas cenas acho que será possível ver apenas as conchas.

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Mr. Peabody and the Mermaid [1948]

PeabodyA atriz Ann Blyth ainda estava filmando “Another Part of the Florest”, em 1948, quando foi chamada para fazer o filme “Mr. Peabody and the Mermaid”. Os anos de 1948-1952 seriam os mais ocupados e prolíferos a atriz, onde ela faria metade dos 32 filmes de sua carreira.

No filme, Peadoby sai de féries com sua esposa, Polly, para um resort no Caribe. Enquanto estava lá, ele ouve uma música distante cantada de uma pequena ilha, e vai para lác com seu barco. Para sua surpresa, ele conhece a sereia Leonore. Embora muda, a sereia é infantil e atraente, e logo Peabody a ensina a beijar. Levando-a como uma espécie de prêmio de pesca, o homem a leva e a esconde na sua banheira no resort, mas a confusão começa quando sua esposa acha que ele está escondendo um grande peixe e suspeita de infidelidade com Cathy Livingston, uma cantora. As coisas ficam ainda mais complicadas quando a polícia suspeita que Peabody é culpado de assssinato. Mas na conclusão do filme Peabody e sua esposa voltam felizes para casa, com apenas o pente de Leonore para provar a veracidade da história.

Ann tinha apenas 19 anos quando o filme foi feito, e William Powell tinha 55, mas a diferença de 36 anos entre eles realmente não foi de nenhum constrangimento durante as filmagens, uma vez que a paixão entre o homem e a seria na tela era bem inocente. Para acabar com qualquer constrangimento fora das telas, ambos os atores eram bem humorados sobre as cenas de beijo, sempre lembrando que o que eles estavam fazendo era um filme de comédia. Ann disse em uma entrevista: “Ele ficava brincando o tempo todo. Eu sempre estava com medo de que ele me fizesse rir quando começava a me beijar. Era tão faz-de-conta que eu não ficava com vergonha quando tinha que beijá-lo.”

No filme, a atriz Ann Blyth teve uma cauda feita exclusivamente para ela. Primeiro, foram tirados moldes dos dois lados de sua perna, que depois foram preenchidos com gesso e argila e depois cobertos de borracha, onde o artista esculpiu a cauda de as escamar. Embora tivesse a previsão de levar três semanas para ficar pronta, foi finalizada somente depois 3 meses e meio. Mas não foi somente o tempo de criação que superou o esperado: estimado inicialmente em $500 dólares, a cauda acabou por ficar por nada menos do que $23 mil dólares.

Sequência de fotos mostra o processo de criação da cauda.

A atriz ficou em uma espécie de mesa de operação por três hora. Para adquirir brilho, foram colocados quatro mil jóias de vidro na cauda. Provocar a censura era a última coisa na agenda, por isso, a atriz usou uma espécie de top para tampar os seios. Portanto, nas pouquíssimas cenas em que não está usando um top, seus seios são artisticamente encobertos pela beira de uma piscina, por um manto, por algas, por seus longos cabelos, por espumas ou por seus próprios braços.

Outra coisa que acabava com qualquer clima de romance é que o ator Powell tinha que carregar Ann para todos os lados, o que foi um feito notável e desgastante para um homem da sua idade. Para os críticos, Powell atuou bem, mas Ann “usou o rabo de peixe como se tivesse nascido para isso”. Eram necessárias três pessoas para colocar a atriz dentro da cauda. Para manter a cauda ereta, foram colocados ainda pesos de chumbo, alguns dizem de 13kg e outros 22kg.

Apesar dos incoveninentes, Ann não se importava muito sobre usar a cauda. “A parte boa sobre isso é que eu tinha que ser carregada durante todo o dia. Todo mundo foi muito bom comigo nesse filme”, disse ela em entrevista.

A nadadora Nancy Tribble posa para uma foto segurando a causa que usou no filme.

Em uma entrevista, a atriz disse que a parte mais difícil do filme foi aprender a nadar enquanto vestia a causa de sereia. Ela disse que praticou por mais de uma semana para se sentir confortável e não chutar a cauda.  Além disso, a atriz era equipada com uma peruca a prova d’água para as filmagens. Embora Ann fosse considerada uma “atleta natural” e tenha realizado a maioria das cenas em close-up, a nataçao acrobática na maioria das cenas de longa distâncias foram feitas pela nadadora Nancy Tribble. A maioria das cenas subaquáticas foram filmadas nos Estúdios Universal em um tanque da água. Na época, o tempo era frio e chuvoso, e grande parte do elenco ficou doente. Os estúdios tentaram aquecer as águas dos tanques, mas não deu certo. Tanto Anne quando as outras nadadoras ficaram doentes.

Veja mais fotos do filme:

 Fotos de Peabody (1) Fotos de Peabody (4) Fotos de Peabody (11)
 Fotos de Peabody (14) Fotos de Peabody (16)  Fotos de Peabody (13)
 Fotos de Peabody (3) Fotos de Peabody (5) Fotos de Peabody (12)
 Fotos de Peabody (2) Fotos de Peabody (15) Fotos de Peabody (6)
 Fotos de Peabody (7) Fotos de Peabody (8) Fotos de Peabody (9)
 Fotos de Peabody (10) Getting actress Ann Blyth into her mermaid's tail during filming of movie  am839wx2x6emme2

Bibliografia:
Mr. Peabody and the Mermaid – 1948.
Ele e a Sereia (1948) Trivia.

As sereias de Peter Pan [1924 e 1953]

1924

Em uma das primeiras versões cinematográficas do filme Peter Pan, no ano de 1924 as sereias e o grande número de atrizes envolvidas trouxe sucesso a esse filme particular, tendo feito aparições em posteres impressos durante anos. Esse filme, com a atriz Betty Bronson com o papel principal (sempre foi muito comum mulheres interpretarem Peter Pan), introduziu esse conto para um público mais amplo, pois no teatro os adultos eram considerados velhos demais para o papel, e as crianças jovens demais. Com quase vinte mulheres vestidas de sereias- nenhuma delas foi creditada – esse é um dos filmes que mais mostraram sereias, embora fosse em cenas de poucos minutos.

 Peter Pan[1924] (6) Peter Pan[1924] (5) Peter Pan[1924] (4)
 Peter Pan[1924] (3) Peter Pan[1924] (2) Peter Pan[1924] (1)

Já na versão animada da Disney em 1953, Peter Pan visita o Lado das Sereias, onde elas se aquecem nas rochas, igual ao filme. Wendy, que estava muito ansiosa para conhecer as sereias, fica surpresa ao descobrir que o sentimento não é mútuo. Embora sejam lindas, as sereias são maliciosas e gostam apenas de Peter. Esta cena é baseada em uma descrição das sereias do livro de James Barrie, onde diz que as sereias podem ser bonitas, mas são pouco dispostas a tolerar qualquer um que não seja Peter. É interessante notar que os design destas sereias não são muito diferentes do que Ariel acabou sendo:

 Peter (1) Peter (2) Peter (4)
 Peter (3) Peter (5) Peter (7)

A história dos sereianos de Harry Potter e sua aparição em “O Cálice de Fogo” [2005]

A Sereia, raça típica da Grécia, é mostrada em um vitral.

Merpeople (Sereianos), também conhecidos por seus nomes regionais de Sirens, Selkies e Merrows, existem em todo o mundo, embora variem de aparência como os humanos. Seus hábitos e costumes permanecem misteriosos, embora os bruxos que aprendam o serêiaco nos falem de comunidades excepcionalmente organizadas, cujo tamanho varia conforme a localização, havendo algumas com habitações muito bem construídas. Os sereianos mais antigos que se tem registro são conhecidos pelo nome se sereias (Grécia) e é nas águas mais tépidas que encontramos as belas sereias descritas na literatura trouxa e representadas em suas pinturas. Os sereianos da Escócia e da Irlanda são menos belos, mas revelam o mesmo amor à musica comum a todos sereianos.

– (ROWLING, 2001, pág. 49)

Na história de Harry Potter, os sereianos são divididas em várias sub-espécies ou raças, dependendo do local de onde vivem. As sereias, como conhecemos – metade mulher e metade peixe – seriam oriundas da Grécia, e foram representadas na história através de um mosaico no banheiro dos monitores-chefes. Já a raça Selkie, que aparece no Lado Negro durante a segunda prova do Torneio Tribruxo, é de origem escocesa, aparecendo também nas Ilhas Faoé e Islândia. Embora vivem nos mares, podem mudar de pele ao ficar na terra para procurar amantes humanos. A raça Merrow é a típica sereia irlandesa, considerada menos bonita do que as Sirens da Grécia e os Selkies da Escócia.

O nível exato de inteligência em comparação com a dos seres humanos é desconhecida, no entanto é conhecido que eles possuem uma linguagem desenvolvida, uma cultura próspera e que vivem em comunidades altamente organizadas, contendo habitações elaboradas feitas de pedras. Também são reconhecidos por domesticar criaturas como:

  • Grindylow: um demônio aquático de chifres e pele verde-clara, que se alimenta de pequenos peixes e é agressivo com bruxos e trouxas.
  • Hippocampus

    Hippocampus

    Hippocampus: criatura com cabeça e quartos dianteiros de cavalo, e o rabo e quartos traseiros de um peixe gigante, bota ovos grandes e semi-transparentes, foi capturado e domesticado por sereianos no ano de 1949.

  • Lobalug: criatura de vinte e cinco centímetros de comprimento, formado por um esguicho flexível e uma bolsa de veneno. Quando ameaçada, ela contrai essa bolsa e esguicha veneno no atacante. Os sereianos usam a seringa como arma.

Também é reconhecido que que o Dilátex (Plimply), um peixe esférico e sarapintado, caracterizado por duas longas pernas que terminam em pés palmados são considerados uma praga para os sereianos. Eles habitam os lagos profundos a procura de alimentos, e não são particularmente perigosos. Os sereianos se livram deles dando nós em suas pernas elásticas: o dilátex é então carregado pela correnteza, e sendo incapaz de se orientar só volta quando consegue se desamarrar, o que leva horas.

A história das relações dos sereianos com os bruxos, ou pelo menos os bruxos do governo britânico, são um tanto quanto complicadas. A chefe do Conselho da Magia Elfrida Clagg se recusou a aceitar sereias como seres, uma vez que a definição do termo demandava que “seres” soubessem falar a língua humana, e uma vez que os sereianos só falam sua própria língua – o serêiaco -, que não pode ser entendida acima da água, e foram então enquadrados na categoria de “animais”. Essa decisão perturbou tanto os sereianos quanto os centauros, seus aliados.

Raça Merrow, típica da Irlanda.

Somente no ano de 1811 que os sereianos seriam chamados novamente de “ser”, pois o recém-nomeado Ministro da Magia Grogan Stump decretou que um “ser” era “qualquer criatura que possuísse inteligência suficiente para compreender as leis da comunidade mágica e para compartir a responsabilidade na preparação de tais leis“. Por meio de intérpretes, os sereianos foram convidados a se tornarem “seres”, no entanto, eles pediram, junto dos centauros, a serem chamados de “animais” novamente, uma vez que vampiros e outras criaturas estavam na categoria “ser”. Desse modo, centauros e sereianos declararam que administrariam seus negócios independentes dos bruxos.

Apesar de considerados “animais” na época, uma delegação de sereianos foi convencida a participar da “Confederação Internacional dos Bruxos” no ano de 1692, onde foi decidido durante sete semanas quais espécies seriam ocultadas ou não dos trouxas. Na conclusão do acordo, vinte e sete espécies – incluindo os sereianos – seriam escondidos dos trouxas de modo a criar uma ilusão de que jamais haviam existido, exceto na imaginação.  Desse modo, Feitiços Antitrouxas foram feitos para impedir que invasores penetrassem em lagos e rios onde vivem os sereianos. Em casos extremos, áreas inteiras foram tornadas imapeáveis. Os sereianos também são reconhecido por se contentar com os territórios destinados a seu uso, ao contrário de outras criaturas, como dragões, que aproveitam qualquer oportunidade de sair dos limites de suas reservas.

Selkie

Selkie, raça típica da Escócia, ameaça Harry Potter com uma lança.

A colônia dos sereianos que vivem no Lago Negro de Hogwarts desempenharam um grande papel no ano de 1994, quando a escola sediou o Torneio Tribruxo e eles fizeram parte da segunda tarefa. Notando que as sereias desse lado não tinham qualquer semelhança física com a sereia do banheiro dos monitores-chefe, Harry Potter define as criaturas como tendo:

…. pele cinzenta e longos cabelos desgrenhados e verdes. Seus olhos eram amarelos, como seus dentes quebrados,  eles usavam grossas cordas de seixos ao pescoço… Um ou dois saíram das tocas para examiná-lo melhor, seus fortes rabos de peixe prateados golpeando a água; as lanças nas mãos. (ROWLING, pág. 395)

Embora os bruxos da série Harry Potter aprendam sobre o mundo ao seu redor, eles nem sempre respeitam as criaturas neles. Sereias, centauros e lobisomens, conhecidos na série como “mestiços”, são vítimas de cruéis desigualdades.  Em uma conversa com Hermione, por exemplo, Siriu Black conta que Umbridge aparentemente tinha aversão a semi-humanos e que havia feito uma campanha para arrebanhar e etiquetar sereianos. Isso sem contar a óbvia repulsa que ela sente pelos centauros, aliados dos sereianos, e dos lobisomens (tendo apresentado um projeto de lei que tornava quase impossível para humanos com essa condição arranjar emprego).

Jennifer Purcell

Cabeça de um sereiano, em exibição. Foto de Jennifer Purcell.

Para a segunda tarefa no filme “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, o  departamento de artes começou criando os ambientes e as criaturas que lá viviam, como os demônios da água e os sereianos. Longe das tradicionais sereias lindas, os sereianos do filme são imponentes e ameaçadores, e sua aparência foi baseada na anatomia de um esturjão.

“Em vez de ter a ruptura tradicional entre as partes humanas e dos peixes”, explica o artista conceitual Adam Brockbank, “demos o aspecto de peixe à parte humana, com escamas, olhos de peixe e cabelo translúcido, como os tentáculos de uma anêmona-do-mar.” (SIBLEY,2010,pág. 106)

Sereia conforme vista no filme.

“…A cauda dos sereianos foi concebida para que se movesse de um lado para o outro e não para cima e para baixo, que é o que acontece quando você tem uma pessoa vestida de sereia”, explica Jimmy Mitchell, supervisor de efeitos visuais. “Depois, fizemos criaturas mais compridas do que humanamente possível e demos a elas cabelos… o que ajudava na aparência final encantadora, mas ameaçadora.” (MCCABE, pág. 431)

Além dos sereianos que rodeiam Harry durante esta tarefa,  também são descritas mais dois personagens. Um deles, a quem Harry pede a lança emprestada, é um sereiano “com uns dois metros de altura, uma longa barba verde e uma gargantilha de dentes de tubarão”  (ROWLING, pág. 396). Outra, a chamada Chefe dos Sereianos, Murcus, é definida como uma fêmea “particularmente selvagem, de aspecto feroz”ROWLING, pág. 401/402). Os sereianos também fizeram uma aparição no enterro de Dumbledore, cantando uma canção que “falava muito claramente de perda e desespero” (ROWLING, pág. 503). De acordo com Harry, parecia claro que os sereianos lamentavam a morte do diretor.

Bibliografia:
ROWLING, J.K. “Animais Fanásticos e Onde Habitam”. Tradução de Lia Wyler. Rio de Janeiro: Rocco, 2001.
ROWLING, J.K. “Harry Potter e o Cálice de Fogo. Tradução de Lia Wyler. Rio de Janeiro: Rocco, 2001.
ROWLING, J.K. “Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.
SIBLEY, Brian. “Harry Potter: A Magia do Cinema”. Tradução de Marina Fragano Baird. São Paulo: Panini, 2010.
MCCABE, Bob. “Harry Potter: Das páginas para a Tela”. Tradução de Marina Fragano Baird. São Paulo: Panini, 2011.