O Velho Homem de Cury/O Pente Mágico

The Fisherman and the Syren, por Frederic Leighton, c. 1856–1858.

Mais de cem anos atrás, em um belo dia de verão, quando o sol brilhava em um céu sem nuvens, um velho chamado Lutey andava nas areias em uma das enseadas perto de um lugar chamado Ponto do Lagarto. Ele vivia em uma casa de campo na pequena aldeia de Corantyn (chamada atualmente e Cury), perto de Mullion. Ele estava andando, olhando para as conchas e destroços que vinhm da praia, quando viu, em uma profunda piscina deixada pela maré, uma bela dama. Ela tinha cabelos dourados, tantos que praticamente a cobriam inteira, e estava sentada em uma pedra. A jovem estava tão absorta em sua ocupação – penteando seus cabelos na água espelhada, ou admirando o seu próprio rosto, que ela não notou o intruso. Ela parecia muito chateada, e estava chorando lastimosamente.

O velho ficou olhando para ela por algum tempo antes que ele imaginasse como agir. Finalmente ele resolveu falar com a moça. “Como vai jovem?” , disse ele, “o que você está fazendo aqui, a essa hora do dia?” Assim que ela ouviu a voz, ela deslizou da rocha afundando na água.

O velho viu um vislumbre de sua calda, e percebeu que não era um ser humano, mas uma sereia. Ele já tinha ouvido falar sobre sereias com os pescadores da Gunwalloe. Em seu entusiasmo, ele correu em sua direção e disse para ela não ter medo. Ele viu que a moça estava tão apavorada como ele, e que, por vergonha ou medo, ela tentou esconder-se nas fendas das rochas, e enterrar-se sob as algas. “Eu sou apenas um homem velho e curioso, que nunca teve o privilégio de encontrar uma sereia antes. Por favor, minha senhora, não tenha medo, pois eu nunca a machucaria”, disse o homem.

Depois que ele falou dessa maneira suava por algum tempo, a jovem tomou coragem e ergueu a cabeça acima da água. Ela chorava amargamente, e, logo que ela pôde falar, ela implorou ao velho para ir embora. Ele dise novamente que não pretendia machucá-la, mas não podia deixar de se questionar porque ela estava tão chateada. Sua voz era gentil, e a sereia nadou um pouco mais para perto da rocha.

“Eu preciso saber, minha querida, algo sobre vós, agora que eu vi você. Não é todo dia que um homem velho pega uma sereia, e eu ouvi alguns contos estranhos a respeito de vocês, mulheres do mar. Agora, minha cara, não tenha medo, eu não iria machucar um único fio de cabelo de sua linda cabeça. Como você chegou aqui? ”

Depois de mais alguma adulação ela disse ao velho a seguinte história: ela e seu marido e os pequeninos tinham andando ocupados no mar toda a manhã, e eles estavam muito cansados por nadar sob o sol quente, de modo que o tritão propôs que eles deveriam retirar-se para uma caverna, que eles tinham o hábito de visitar em Kynance Cove. Eles nadaram longe, e entraram na caverna no meio da maré. Como lá havia um pouco de uma gradável alga macia, e a caverna era deliciosamente fresca, o tritão se dispôs a dormir, e disse-lhes para não acordá-lo até a subida da maré. Ele foi logo dormindo, roncando vigorosamente. As crianças rastejaram para fora e estavam brincando na areia encantadora, assim a sereia achou que deveria ivestigar um pouco o mundo. Ela olhou com prazer nas crianças rolando para lá e para cá nas ondas rasas, e ela riu na luta dos caranguejos, engraçada à sua própria maneira.

 “O perfume das flores, descia sobre a falésia tão docemente”, disse ela, “que eu ansiava por chegar mais perto das coisas encantadoras que emitiam esses ricos odores, e eu flutuava de pedra em pedra até que eu vim para esta, e concluindo que eu não poderia avançar ainda mais, pensei que eu deveria aproveitar a oportunidade de arrumar o meu cabelo “.

Ela passou os dedos por seus lindos cachos, e sacudiu alguns pequenos caranguejos e muitas algas marinhas. Ela passou a contar que ela tinha sentado sobre a rocha admirando a si mesma até que a voz de um mortal apavorou dela, e até então não tinha idéia de que o mar estava tão longe, com uma enorme faixa de terra entre ela e o mar.

“O que devo fazer? O que devo fazer? Oh, eu daria o mundo para voltar para o mar! Oh, Oh! O que devo fazer?”

Ela continou contando que, quando seu marido acordar, ele ficaria com fome, e os tritões ficam muito cruéis quando estam com fome. Ele poderia comer até as crianças. Além disso, ela continou, ele também é terrivelmente ciumento, e se ela não estava ao seu lado quando ele acordasse, ele iria suspeitar que ela teria fugido com outro tritão e assim a procuraria e a mataria.

Isto quebrou o coração do velho, e ela implorou que ele a carregasse para o mar. Se ele o fizesse ela daria a ele quaisquer três coisas que ele desejasse. Seus pedidos finalmente prevaleceram e, de acordo com seu desejo, o velho ajoelhou-se na rocha, de costas para ela. Ela apertou os braços junto ao pescoço dele, e firmou os dedos membranosos em sua garganta. Ele levantou-se da rocha com o seu fardo, e levou assim a sereia pela areia. Enquanto era conduzida desta forma, ela pediu o velho para lhe dizer o que ele desejava.

“Eu não desejo”, disse ele, “prata e ouro, mas me dê o poder de fazer o bem aos meus vizinhos: em primeiro lugar, para quebrar os feitiços de bruxaria; segundo, e encantamentos para afastar doenças, e em terceiro lugar, para descobrir os ladrões e restaurar bens roubados. “

O molusco Murex Pecten é conhecido pelo nome de “Pente de Sereia”, por causa do seu arranjo perfeito de mais de cem espinhos.

Ela prometeu que realizaria seu desejo, mas para isso ele precisaria chegar a uma rocha coberta até a metade pela maré no dia seguinte, e ela iria instruí-lo como fazer as três coisas que ele desejava. Tinham chegado à água e a sereia deu o pente que estava em seu cabelo para o velho, dizendo que ele tinha apenas que pentear a água e chamá-la a qualquer momento, que ela viria até ele. A sereia afrouxou seu abraço, e deslizou do pescoço do velho de volta ao mar, ela jogou-lhe um beijo e desapareceu.

No outro dia, o velho estava na rocha na hora marca – conhecida até o hoje como a Rocha da Sereia – e foi devidamente instruído pela sereia em muitos mistérios. Entre outros, ele aprendeu a quebrar os feitiços de bruxas sobre homem ou animal, como preparar um vaso de água, para mostrar a qualquer um que teve seus bens roubados o rosto do ladrão e a curar várias doenças doenças.

A sereia convenceu seu velho amigo a levá-la a um lugar secreto, de onde ela podia ver mais da terra seca e do povo engraçado que vivia nela, “que tinham suas caudas arrancadas, e assim podiam andar. ” Ao levar a sereia de volta para o mar, ela desejou que seu amigo a visitasse em seu lar, e até prometeu fazê-lo jovem se ele fizesse isso, favores que o velho respeitosamente declinou.

A família do velho, muito conhecida na Cornualha, por algumas gerações têm exercido o poder de enfeitiçar. Eles tem em a posse deste poder da maneira como foi relatada. O pente da sereia, que existe até os dias atuais, é mostrada pela família como prova do seu poder sobrenatural.

Bibliografia:
The Old Man of Cury. Acesso em 20 de Julho de 2014.
A Mermaid and a Magic Comb. Acesso em 20 de Julho de 2014.
O ancião de Cury. Acesso em 20 de Julho de 2014.

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