A história dos sereianos de Harry Potter e sua aparição em “O Cálice de Fogo” [2005]

A Sereia, raça típica da Grécia, é mostrada em um vitral.

Merpeople (Sereianos), também conhecidos por seus nomes regionais de Sirens, Selkies e Merrows, existem em todo o mundo, embora variem de aparência como os humanos. Seus hábitos e costumes permanecem misteriosos, embora os bruxos que aprendam o serêiaco nos falem de comunidades excepcionalmente organizadas, cujo tamanho varia conforme a localização, havendo algumas com habitações muito bem construídas. Os sereianos mais antigos que se tem registro são conhecidos pelo nome se sereias (Grécia) e é nas águas mais tépidas que encontramos as belas sereias descritas na literatura trouxa e representadas em suas pinturas. Os sereianos da Escócia e da Irlanda são menos belos, mas revelam o mesmo amor à musica comum a todos sereianos.

– (ROWLING, 2001, pág. 49)

Na história de Harry Potter, os sereianos são divididas em várias sub-espécies ou raças, dependendo do local de onde vivem. As sereias, como conhecemos – metade mulher e metade peixe – seriam oriundas da Grécia, e foram representadas na história através de um mosaico no banheiro dos monitores-chefes. Já a raça Selkie, que aparece no Lado Negro durante a segunda prova do Torneio Tribruxo, é de origem escocesa, aparecendo também nas Ilhas Faoé e Islândia. Embora vivem nos mares, podem mudar de pele ao ficar na terra para procurar amantes humanos. A raça Merrow é a típica sereia irlandesa, considerada menos bonita do que as Sirens da Grécia e os Selkies da Escócia.

O nível exato de inteligência em comparação com a dos seres humanos é desconhecida, no entanto é conhecido que eles possuem uma linguagem desenvolvida, uma cultura próspera e que vivem em comunidades altamente organizadas, contendo habitações elaboradas feitas de pedras. Também são reconhecidos por domesticar criaturas como:

  • Grindylow: um demônio aquático de chifres e pele verde-clara, que se alimenta de pequenos peixes e é agressivo com bruxos e trouxas.
  • Hippocampus

    Hippocampus

    Hippocampus: criatura com cabeça e quartos dianteiros de cavalo, e o rabo e quartos traseiros de um peixe gigante, bota ovos grandes e semi-transparentes, foi capturado e domesticado por sereianos no ano de 1949.

  • Lobalug: criatura de vinte e cinco centímetros de comprimento, formado por um esguicho flexível e uma bolsa de veneno. Quando ameaçada, ela contrai essa bolsa e esguicha veneno no atacante. Os sereianos usam a seringa como arma.

Também é reconhecido que que o Dilátex (Plimply), um peixe esférico e sarapintado, caracterizado por duas longas pernas que terminam em pés palmados são considerados uma praga para os sereianos. Eles habitam os lagos profundos a procura de alimentos, e não são particularmente perigosos. Os sereianos se livram deles dando nós em suas pernas elásticas: o dilátex é então carregado pela correnteza, e sendo incapaz de se orientar só volta quando consegue se desamarrar, o que leva horas.

A história das relações dos sereianos com os bruxos, ou pelo menos os bruxos do governo britânico, são um tanto quanto complicadas. A chefe do Conselho da Magia Elfrida Clagg se recusou a aceitar sereias como seres, uma vez que a definição do termo demandava que “seres” soubessem falar a língua humana, e uma vez que os sereianos só falam sua própria língua – o serêiaco -, que não pode ser entendida acima da água, e foram então enquadrados na categoria de “animais”. Essa decisão perturbou tanto os sereianos quanto os centauros, seus aliados.

Raça Merrow, típica da Irlanda.

Somente no ano de 1811 que os sereianos seriam chamados novamente de “ser”, pois o recém-nomeado Ministro da Magia Grogan Stump decretou que um “ser” era “qualquer criatura que possuísse inteligência suficiente para compreender as leis da comunidade mágica e para compartir a responsabilidade na preparação de tais leis“. Por meio de intérpretes, os sereianos foram convidados a se tornarem “seres”, no entanto, eles pediram, junto dos centauros, a serem chamados de “animais” novamente, uma vez que vampiros e outras criaturas estavam na categoria “ser”. Desse modo, centauros e sereianos declararam que administrariam seus negócios independentes dos bruxos.

Apesar de considerados “animais” na época, uma delegação de sereianos foi convencida a participar da “Confederação Internacional dos Bruxos” no ano de 1692, onde foi decidido durante sete semanas quais espécies seriam ocultadas ou não dos trouxas. Na conclusão do acordo, vinte e sete espécies – incluindo os sereianos – seriam escondidos dos trouxas de modo a criar uma ilusão de que jamais haviam existido, exceto na imaginação.  Desse modo, Feitiços Antitrouxas foram feitos para impedir que invasores penetrassem em lagos e rios onde vivem os sereianos. Em casos extremos, áreas inteiras foram tornadas imapeáveis. Os sereianos também são reconhecido por se contentar com os territórios destinados a seu uso, ao contrário de outras criaturas, como dragões, que aproveitam qualquer oportunidade de sair dos limites de suas reservas.

Selkie

Selkie, raça típica da Escócia, ameaça Harry Potter com uma lança.

A colônia dos sereianos que vivem no Lago Negro de Hogwarts desempenharam um grande papel no ano de 1994, quando a escola sediou o Torneio Tribruxo e eles fizeram parte da segunda tarefa. Notando que as sereias desse lado não tinham qualquer semelhança física com a sereia do banheiro dos monitores-chefe, Harry Potter define as criaturas como tendo:

…. pele cinzenta e longos cabelos desgrenhados e verdes. Seus olhos eram amarelos, como seus dentes quebrados,  eles usavam grossas cordas de seixos ao pescoço… Um ou dois saíram das tocas para examiná-lo melhor, seus fortes rabos de peixe prateados golpeando a água; as lanças nas mãos. (ROWLING, pág. 395)

Embora os bruxos da série Harry Potter aprendam sobre o mundo ao seu redor, eles nem sempre respeitam as criaturas neles. Sereias, centauros e lobisomens, conhecidos na série como “mestiços”, são vítimas de cruéis desigualdades.  Em uma conversa com Hermione, por exemplo, Siriu Black conta que Umbridge aparentemente tinha aversão a semi-humanos e que havia feito uma campanha para arrebanhar e etiquetar sereianos. Isso sem contar a óbvia repulsa que ela sente pelos centauros, aliados dos sereianos, e dos lobisomens (tendo apresentado um projeto de lei que tornava quase impossível para humanos com essa condição arranjar emprego).

Jennifer Purcell

Cabeça de um sereiano, em exibição. Foto de Jennifer Purcell.

Para a segunda tarefa no filme “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, o  departamento de artes começou criando os ambientes e as criaturas que lá viviam, como os demônios da água e os sereianos. Longe das tradicionais sereias lindas, os sereianos do filme são imponentes e ameaçadores, e sua aparência foi baseada na anatomia de um esturjão.

“Em vez de ter a ruptura tradicional entre as partes humanas e dos peixes”, explica o artista conceitual Adam Brockbank, “demos o aspecto de peixe à parte humana, com escamas, olhos de peixe e cabelo translúcido, como os tentáculos de uma anêmona-do-mar.” (SIBLEY,2010,pág. 106)

Sereia conforme vista no filme.

“…A cauda dos sereianos foi concebida para que se movesse de um lado para o outro e não para cima e para baixo, que é o que acontece quando você tem uma pessoa vestida de sereia”, explica Jimmy Mitchell, supervisor de efeitos visuais. “Depois, fizemos criaturas mais compridas do que humanamente possível e demos a elas cabelos… o que ajudava na aparência final encantadora, mas ameaçadora.” (MCCABE, pág. 431)

Além dos sereianos que rodeiam Harry durante esta tarefa,  também são descritas mais dois personagens. Um deles, a quem Harry pede a lança emprestada, é um sereiano “com uns dois metros de altura, uma longa barba verde e uma gargantilha de dentes de tubarão”  (ROWLING, pág. 396). Outra, a chamada Chefe dos Sereianos, Murcus, é definida como uma fêmea “particularmente selvagem, de aspecto feroz”ROWLING, pág. 401/402). Os sereianos também fizeram uma aparição no enterro de Dumbledore, cantando uma canção que “falava muito claramente de perda e desespero” (ROWLING, pág. 503). De acordo com Harry, parecia claro que os sereianos lamentavam a morte do diretor.

Bibliografia:
ROWLING, J.K. “Animais Fanásticos e Onde Habitam”. Tradução de Lia Wyler. Rio de Janeiro: Rocco, 2001.
ROWLING, J.K. “Harry Potter e o Cálice de Fogo. Tradução de Lia Wyler. Rio de Janeiro: Rocco, 2001.
ROWLING, J.K. “Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.
SIBLEY, Brian. “Harry Potter: A Magia do Cinema”. Tradução de Marina Fragano Baird. São Paulo: Panini, 2010.
MCCABE, Bob. “Harry Potter: Das páginas para a Tela”. Tradução de Marina Fragano Baird. São Paulo: Panini, 2011.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s