A Vingança da Sereia

Ilustração de Troy HowellHá muito tempo, na Cornualha, um fazendeiro e sua esposa moravam em uma humilde casa de lama. Mas eles tinham um lindo jardim, uma vida boa e uma linda filha chamada Selina.

Selina tinha bochechas rosadas e olhos escuros e misteriosos. Fofocas da aldeia diziam que há muito tempo a mãe de Selina a levara para o Lago de Perran, um dos locais prediletos das sereias. A pequena Selina pulou dos braços de sua mãe direto para a água e, quando ela reapareceu, se rosto estava mais brilhante e encantados do que nunca.

Uma noite, quando tinha dezoito anos, Selina estava andando na praia com seu pai. A lua clara e fria inundava o oceano com seu luar, e um jovem soldado andava por perto. Seu nome era Walter Trewoofe, ele estava visitando seu tio, um rico escudeiro.

Salina achou que Walter era bastante elegante e impressionante montado no seu orgulhoso cavalo. Da mesma forma, quando Walter observou selina e seu pai, ele ficou impressionado com a beleza calma da menina.

Depois disso, Walter planejou montar em seu cavalo e andar na areia sempre que Selina estava passeando com seu pai. E sempre que ele passava por eles, ele parava para dizer algo lisonjeiro para a menina.

Logo, a solitária e bela donzela se apaixonou por Walter Trewoofe, e ela começou a fazer caminhadas com ele ao invés de seu pai. Uma vez, quando Walter e Selina foram passear ao longo da costa, um velho pescador viu algo estranho: uma sereia ressurgiu das profundezas do mar. A sereia flutuou ao longo das ondas ondulantes, como se estivesse vigiando a jovem.

Quando Selina não via Walter, o mundo parecia cinza e frio. Quando ela via ele, o mundo ficava cheio de sol. Mas Walter não tinha boas intenções com Selina. Ele era muito vaidoso, na verdade, ele esperava que todas as moças se apaixonassem por ele. Então, depois de cortejar Selina por um curto tempo, ele ficou entediado e desapareceu, voltando para o mundo agitado de Londres. Ele nunca parou para pensar nos sentimentos dela.

De volta à vila pesqueira da Cornualha, Selina sofria por Walter Trewoofe. Ela ficava deitada em sua cama e lentamente desapareceu desta vida. Enquanto ela ficava mais fraca, tudo na aldeia começou a dar errado. As lavouras minguaram, palheiros e milharais pegaram fogo. Cavalos cairam. Vacas morreram.

Finalmente, em uma noite, no momento em que a maré virou e as águas do mar começaram a recuar da costa, Selina escorregou da vida para a morte.

Naquela mesma noite, por coincidência, Walter Trewoofe havia retornado para a Cornualha para visitar seu tio, o escudeiro. Walter participou de uma grande festa perto da costa. Á meia-noite, ele deixou a festa e vagou ao longo da borda das falésias. Logo ele se viu na praia. Ele estava perdido, então ele começou a refazer seus passos. Mas, então, a música mais esquisita o parou.

Walter ouviu uma mulher cantando uma canção desesperadora e melancólica:

Venha para longe, venha para longe
Onde as águas selvagens da
Nossa Terra – crianças nasceram
Morreram neste dia, morreram neste dia

Walter caminhou lentamente ao longo da areia. Ele descobriu que a doce melodia estava vindo em águas mai baixas, do outro lado das rochas. Na boca de uma caverna, ele viu uma mulher que parecia exatamente como Selina.

Ela olhou para as estrelas e cantou:

Venha, venha para longe
A orgulhosa tempestade
Tece a mortalha
Para aqueles que a traíram.

Walter começou a caminhar entre as águas até que chegou na mulher. Ela estendeu os braços para recebê-lo. ‘Venha, sente ao meu lado, Walter’, ela disse em uma voz bonita, prateada.

Walter sentou ao lado dela, e ela envolveu seus braços ao redor de seu pescoço, e olhou em seus olhos.

‘Beijos são tão verdadeiros no mar como são falsos em terra’, disse ela. Você beija uma donzela e então a trai. Mas se uma donzela do mar beija você, você será dela para sempre’. E ela o beijou.

Walter percebeu que ela não era Selina. Como se tivesse lido sua mente, a mulher disse: ‘Eu sou a sereia guardiã de Selina. Eu a tenho guardado desde que ela caiu no Lago de Perran quando pequena. Agora eu vingarei sua morte’.

Walter começou a lutar com a sereia. Mas ela segurou-o com força. A maré estava subindo e os ventos rugindo. Ouviu-se o trovoar de um raio e, em seguida, uma névoa negra cobriu o céu cheio de estrelas.

As ondas colidiam contra a costa, e a sereia puxava Walter contra uma rocha maior. O trovão ressoava acima dos penhascos. Em seguida, um poderosa onde espirrou contra a rocha maior e Walter e a sereia foram levados para o mar.

Enquanto flutuavam pela água, a sereia segurava Walter pelo seu cabelo. E ela cantou com uma voz tão clara como um sino:

Venha, venha para longe
A orgulhosa tempestade
Tece a mortalha
Para aqueles que a traíram.

Walter ouviu outras vozes cantando acima do rugido da tempestade. Um coro de vozes prateadas cantou:

Venha, venha embora
Sob a onda
Descansa o túmulo dele
Que nós mataremos, nos mataremos

E então a sereia guardiã de Selina enterrou Walter Trewoofe embaixo das ondas.

Traduzido do conto inglês ‘The Mermaid’s Revenge‘.

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